Hoje, no âmbito do tema "Conhecer o que é nosso - Património construído", tivemos o prazer da visita da Srª Bárbara Marques, que veio partilhar connosco um pouco da sua experiência, como enfermeira de alguns dos sanatórios que existiram na nossa terra.
O silêncio que hoje se sente, não apaga a vida dos antigos sanatórios do Caramulo, que, nos tempos críticos da tuberculose, tornaram a nossa vila na mais afamada estância sanatorial da Península Ibérica.
A nossa vila chegou a ter em funcionamento perto de 20 sanatórios, que se traduziam numa população flutuante superior a mil pessoas.
O mais antigo - o Grande Sanatório - abriu as portas em 1922, após a criação de uma sociedade impulsionada pelo médico Jerónimo de Lacerda, que integrava personalidades da época. Seguiram-se-lhe muitos outros, mas o controle clínico de todos competia ao corpo clínico do Grande Sanatório.
"Era uma animação, havia muito movimento. Vinha gente de todo o lado, até do estrangeiro. Havia vida social, quer por causa dos doentes, quer dos médicos e de outras pessoas que cá trabalhavam", conta a enfermeira Bárbara Marques, que trabalhou durante 12 anos nos sanatórios.
Um cenário bem diferente do actual. Caminhando pela vila, poucos são aqueles que se vêem nas ruas e destes a maioria são idosos, utentes de lares instalados em alguns dos sanatórios.